Cecília Pernocas

Pulgas-do-mar como bioindicadores
Na ciência, chamamos de bioindicadores os organismos cuja presença, ausência ou abundância ajuda a indicar a qualidade ambiental de um ecossistema.
As pulgas-do-mar fazem parte da chamada fauna bentônica: o conjunto de organismos que vivem associados ao fundo de ambientes aquáticos ou à areia das praias. Em praias arenosas, ela inclui pequenos crustáceos e outros invertebrados que vivem entre os grãos de areia ou logo abaixo da superfície. Embora muitas vezes invisíveis aos nossos olhos, esses organismos desempenham funções essenciais, como a reciclagem de matéria orgânica e a sustentação das cadeias alimentares costeiras.
Estudos realizados no litoral brasileiro mostram que a composição e a abundância dessa fauna variam conforme as condições ambientais locais. As pesquisas demonstram que certos crustáceos de praia, como anfípodes, são especialmente sensíveis a impactos humanos, incluindo urbanização, pisoteio excessivo e limpeza mecanizada da areia. Em praias mais preservadas, esses organismos tendem a ser mais abundantes e diversos; já em áreas impactadas, sua presença pode diminuir drasticamente ou desaparecer.
Por essa razão, cientistas utilizam a fauna bentônica e alguns crustáceos como bioindicadores ambientais, ajudando a avaliar a “saúde” da praia para além da aparência visual, revelando processos ecológicos sutis, mas fundamentais.
Assim, podemos aprender que a Diversidade e a abundância desses organismos estão relacionadas a fatores como:
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qualidade da água,
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quantidade de matéria orgânica natural,
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grau de poluição,
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alterações causadas pela ação humana.


os ODS e onde a literatura encontra a ciência
O conhecimento e a preservação das pulgas-do-mar, além de se conectar à saúde das praias, dialoga também diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS da ONU), em especial o 14, 15, 13, 4, 3 e 12, podendo facilitar a realização de atividades e experiências de educação ambiental.
No livro, Cecília convida as crianças a observar o mundo a partir de um ponto de vista diferente — o de um ser pequeno, curioso e atento ao ambiente em que vive. Essa perspectiva conversa com a forma como a ciência ambiental observa o mundo: com cuidado, paciência e curiosidade.
Ao imaginar, por exemplo, Cecília como uma “cientista-pulga”, o leitor pode se aproximar de conceitos reais de forma lúdica. Assim como os cientistas estudam a fauna bentônica para entender a saúde das praias, Cecília e as crianças podem observar a areia, as algas, a umidade e os pequenos sinais de vida ao seu redor para compreender seu lar. A história pode ser vista sob a perspectiva de uma "porta de entrada" para o pensamento científico e para a educação ambiental.
Se tiver interesse em conhecer sugestões de atividades para crianças inspiradas no Livro, como a da "cientista-pulga", entre em contato conosco. Ficaremos felizes em compartilhar, incluindo referências de estudos científicos!
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